Deep House

Agoria – Scala

Grrovejet

Andhim – Boy Boy Boy

Claptone – Wrong

Claptone – No Eyes

Croatia Squad – Be Good To Me

Dennis Ferrer – Mind Your Step

Dusky – Careless

Dusky – Nobody Else

Himself Her – Gone too long

Hot Natured – Reversed Sky Diving

Todas as músicas dessa playlist foram cortesia de Jean Paul, amigo da galera, frequentador de Ibiza, DJ enrustido, hiperativo e lindo.

Breve reflexão:

Tenho conhecido tantos jovens na faixa dos 25-30 anos que tem tanto talento enrustido. Eles saem das faculdades mais caretas que escolheram por incentivo dos pais ávidos por realizar seus próprios sonhos através dos filhos (direito, economia, engenharia, administração), são efetivados nas empresas onde estagiavam e seguem acumulando dinheiro sem muita reflexão sobre seus verdadeiros desejos.

Depois de um tempo, com salários altos e pouca responsabilidade, passam a realizar-se através das suas “coisas”. São seus objetos que passam a assegurá-los de que estão evoluindo de alguma maneira. Ao invés de amadurecerem através das experiências de vidas e trabalho interno de reflexão autônoma, projetam esse amadurecimento nas externalidades. Quanto mais velhos ficam, mais maduros ficam seus hábitos de consumo. Lanchonete vira restaurante caro, festa vira camarote, bicicleta vira carro, acampamento vira mochilão na Europa, etc. Segundo a sociedade-capitalista-zonasul-riodejaneiro, eles estão no topo do mundo, “deram certo”.

Aos poucos as coisas já não conseguem suprir suas necessidades internas de produção livre e passam aos rituais ainda mais caros como casamento, compra de apartamento, começo de família… Na tentativa desesperada de seguir a receita do sucesso formulada pelas gerações passadas e preencher aquele vazio e incomodo por não estar totalmente feliz como lhe prometeram tantos filmes, tantas novelas, tantos livros de aeroporto, tantas tias e primas mais velhas.

Sobrecarregam-se de responsabilidades e fardos sem pausa para olhar pra dentro. Confundem felicidade com êxtase, usam muitas drogas, bebem muito champanhe, vão aos maiores festivais de música, experimentam novos aparelhos eletrônicos, novos aplicativos e nada. Muito infelizes, cheios de angústias, fobias e vendas nos olhos buscam a terapia. Correm o risco de cair em um terapeuta tipo cognitivo comportamental que apenas está lá para encaixá-lo ainda mais na receita de vida e padronizá-lo enquanto consumidor e escravo do sistema.

Eles estão por todos os lados, cegos do seu desejo, do seu talento, da sua arte. Amigos próximos que são atores, pintores, escritores, curandeiros, permacultores, mochileiros, artesãos, dançarinos, cantores, magos e DJs – lá no fundo. Fazem o que amam de vez em quando, nas horas vagas e vivem tristes, cansados, frustrados e medicados.

Descobri o Deep House assim. Acordei e desci pra piscina, seguindo uma música eletrônica maravilhosa nas alturas. Pensei que era uma festa mas era apenas um amigo colocando músicas incríveis. Ele me contou que estava sempre ouvindo sets, baixando músicas, se informando. Me deu uma playlist incrível, algumas músicas lançadas há apenas três dias atrás. Dava pra ver nos olhos dele que era isso que ele queria e devia fazer da vida dele. Mas ele segue trabalhando em alguma empresa qualquer, vendendo seu tempo por dinheiro, angustiado, hiperativo, tenso e de fone do ouvido.

Até quando as pessoas vão se enganar? Vão seguir nessa caretice? Vão escolher dinheiro antes de felicidade? Excel antes de arte?

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