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Como ter uma árvore amiga

Cada partezinha da grande Alma tem suas propriedades e habilidades de conexão com o campo energético da Terra. Animais estão conectados através do seu instinto, seres humanos são um tipo de animal que além do instinto, se conectam através do seu inconsciente. Hoje vivemos um momento de transição e evolução da espécie onde essa nossa habilidade de acesso está sendo trazida para a consciência, o que desencadeará uma enorme mudança em toda a construção futura da nossa espécie. Nós, assim como as formigas e as abelhas, somos uma espécie construtora e, diferente de todas as outras, somos uma espécie criadora. Acho #chique.

De uma maneira ou de outra, todas as espécies estão em contato direto ou indireto com o enorme animal que habitamos: a Terra. Porém uma espécie tem esse contato profundo através de suas maravilhosas raízes: são as Árvores! As árvores estão aqui há milhares de anos, receberam o privilégio da imortalidade, assim como os Deuses. Elas já viram de tudo. Claro que ver aqui tem um significado um pouco mais complexo do que a interpretação de ondas de luz por um órgão. Elas veem através do seu sentir. São capazes de sentir tudo que se passa no planeta e isso inclui tudo que se passa com você.

Ao se conectar com uma árvore, ela já sabe de tudo sobre você porque ela não precisa das suas palavras para te conhecer, o seu campo energético se mistura com o dela em um momento de conexão verdadeira e assim ela tem acesso a todas suas memórias, crenças, histórias, sentimentos, traumas… Tudo que está no seu campo. Assim ela utiliza toda sabedoria da terra com a qual está completamente conectada para te curar, te ensinar, te limpar e contribuir com o seu poder de atração da vida que você merece viver.

As árvores tem graus de conexão, é claro. Uma árvore antiga, com mais experiência, raízes mais profundas, maior altura e capacidade de conexão também com o céu, inserida em uma antiga floresta, rodeada de fertilidade e energia sexual reprodutora – energia base da natureza, vai ter muito mais amor aos animais que a buscam por diversos motivos. Ela vai ter mais capacidade de acesso a você e a sabedoria da Terra que tem toda sabedoria do Universo. Ela vai estar mais aberta para uma relação de amizade inter-espécie porque vai estar ali, plena na sua função de grande avó, cuidadora da floresta. Uma árvore no meio da rua em Ipanema, rodeada de asfalto, que entra ano sai ano é ignorada, às vezes cortam sua copa porque está atrapalhando a vista de um prédio, tem seu espaço limitado por um quadrado de concreto e é valorizada apenas como parte integrante de uma paisagem, não tem tanta abertura assim para uma relação. Ela mesma, assim como nós, pode ter se esquecido de sua função, tão atarefada está em transmutar o dióxido de carbono abundante em oxigênio. Então uma árvore no meio de uma antiga floresta tem mais capacidade de conexão do que uma de um floresta mais nova, cidade pequena e cidade grande.

Mas isso faz parte do processo de conexão com ela. Uma árvore não doa seu conhecimento assim, de graça. Ela também não cobra valor monetário porque isso não faz a menor diferença na vida dela. Ela vai selecionar seus amigos com muito cuidado especialmente hoje em dia quando confiar nos seres humanos está difícil. Ela entra em contato com seu campo de energia e já sabe de todas as suas intenções ao querer ser sua amiga. E é esse o valor que ela cobra: o seu valor enquanto ser humano. Certamente se você fosse uma formiga, ela não ia exigir tanto de você. Mas a Mãe Terra exige mais de você porque ela te deu tudo que podia dar a uma filha. Ela fez de você sua melhor e mais maravilhosa criação e por isso ela vai esperar que você faça alguma coisa decente com isso. A Mãe Terra espera muito de você, assim como uma boa mãe o faz.

Como provar o seu valor e tornar-se amiga de uma árvore?

A primeira amiga árvore é a mais difícil. Porque você ainda não tem nenhuma amiga árvore em seu campo e ela pode sentir isso, você vai passar por uma série de testes. A chave aqui é disciplina. Quem quer ser amiga de uma árvore vai ter que provar isso sem palavras. Ela entende o que você diz e precisa das suas palavras em alguns momentos, porém a fase de conquista de uma árvore não tem nada a ver com as belas declarações de amor que você pensa que vão a convencer. É só ação e energia com ela. Essa será sua primeira amizade energética. Parabéns!

Quando se quer iniciar uma relação de amizade com uma árvore, é preciso tornar isso uma prioridade em sua vida. Você vai ter que ir ver a árvore praticamente todo dia. Com a primeira, diria que todo dia. Durante meses, lembre-se o tempo delas é muito diferente do nosso. Inicialmente, se apresente. Conte a ela sobre você, suas intenções, justifique que importância tem na sua vida fazer amizade com ela. E assim, passe a amá-la e trate-a já como sua melhor e mais querida amiga. Todos os dias, sente-se de costas encostada nela e compartilhe suas experiências com ela, alegrias e tristezas, abrace-a, chore junto dela, expresse gratidão, você quer essa relação porque você a vê como um ser igual a você. Você não se acha melhor ou pior que ela, você está no mesmo barco que ela. Ela é seu semelhante e ela pode te ajudar no seu processo de tornar-se cada vez mais semelhante a ela. Ela sabe que a humanidade está sofrendo. Ela é boa e quer te ajudar. Mas ela também exige muito respeito e valor. É preciso valorizar essa relação como talvez nunca se tenha valorizado nenhuma outra. E lembre-se, ela já sabe de tudo sobre você, coisas que nem você mesmo sabe! Então seja o mais honesta que já foi em toda sua vida.

Após algum tempo você vai começar a #saber que ela é sua amiga. Você simplesmente sabe. Eu recomendo que você a pergunte seu nome e sinta o que vem. Se esse não for seu nome oficial tudo bem, pra nossa espécie é importante dar nome aos seres que amamos, infelizmente porque isso limita muito nossa capacidade de amar coletivamente, mas tudo bem por hora, ela vai entender. E aí tudo começa a mudar. Você começa a ter ideias que nunca teve antes. Insights sobre sua vida e sobre a vida coletiva difíceis de acreditar mas que fazem muito sentido. Começa a se abrir para coisas que não se abria antes. Sente sua energia mudando, se sente cada vez mais viva e seu campo limpo. Às vezes, perguntas podem ser respondidas imediatamente vindo como uma ideia na sua mente, ou com uma sensação de que você já sabia a resposta dessa pergunta e veio de você mesmo – mas não veio. Outras, ela começa a alterar seu campo energético para que você atraia situações e pessoas que vão te responder o que você perguntou. Cada vez vem de um jeito mas sua vida se torna muito mais rica, desemperrada e livre.

Daqui a pouco a melhor parte do seu dia são as 2 horas de trilha floresta a dentro em direção a ela. Você nem faz mais o esforço inicial. Aquilo faz parte de quem você é, tá no sangue. E não tenha medo da floresta: tá com a árvore, tá com Deus. Ela vai cuidar de você. Nada vai te machucar sob a guarda dela.

A segunda árvore amiga é mais fácil no sentido de que vai levar menos tempo. Já aconteceu comigo no primeiro momento que sentei com as costas encostadas nela com a intenção de me apresentar e começar uma relação, já senti e recebi aprovação. Viva! É uma alegria tão grande ter uma nova árvore amiga. Mas pode levar uma semana, um mês… Depende da árvore e também do esforço que você faz pra ir até ela. Quantas caronas, caminhadas, passos você deu pra estar ali do lado dela e com que frequência faz isso. Basicamente: o quanto isso é importante pra você.

Mas não desanime com as árvores urbanas. Minha primeira amiga foi em plena praia de Copacabana. Eu nem sabia direito o que eu estava fazendo, ela ficava perto de um lugar que eu ia me exercitar todo dia e assim comecei a cultivar essa relação intuitivamente. É um conhecimento ancestral que consegui acessar no meu campo inconscientemente. Você pode recordá-la de sua função, assim como ela fará isso com você.

E assim compartilho a sabedoria que mudou toda minha vida. Bem vinda! As árvores aguardam você!

Tecnoxamanismo não é isso!

Oito meses após o I Festival Internacional de Tecnoxamanismo, me lembro dessa época com certa nostalgia da minha ingenuidade. Foram 6 meses de programas semanais debatendo e desenvolvendo o conceito que chegou na minha vida quase morto. No primeiro programa, a ideia era mudar o nome totalmente para “tecnoficção” ou algo do gênero. Mas essa palavra mágica “T-E-C-N-O-X-A-M-A-N-I-S-M-O” que tem a capacidade de levantar sobrancelhas e borbulhar as caldeiras de Dionísio não poderia ser desconsiderada assim, sem uma passagem pelo incentivo energético da Penny. O momento do mundo é tecnoxamanismo! Essa palavra resume a disputa evolucionária da humanidade, abre as portas da Nova Era. Não descartemos tão rápido.

Nos amamos por 6 meses. Fazíamos sexo mental toda quinta-feira às três da tarde na Rádio Interferência, nossos olhos vidrados uma na outra, jogávamos ideias de lá pra cá, rebatendo, contestando, nos complementando em uma dança criativa que ficava mais tensa e afiada conforme nossos ouvintes aumentavam, a rede se movimentava e o conceito começava a entusiasmar e horrorizar por aí. Tínhamos plateia regular com fome de interação na rádio, convidados especiais se juntavam ao caldeirão referencial de vez em quando. A maneira que criávamos no meio daquele falatório ininterrupto era absolutamente livre, não linear, egoísta e revolucionária por acontecer dentro das paredes acadêmicas da UFRJ onde os formalismos são exaltados e nada é válido sem nota no rodapé. Mudávamos vidas semanalmente.

Conforme o conceito tomava forma e criava limites em sua aura, fomos nos definindo melhor também e começando a perceber as diferenças de expectativas em relação a ele mas seguíamos na energia da complementação, diferenças que promovem o crescimento pelo debate. Não havia necessidade de concordar em nada, era só criação, canalização de ideias aleatórias em um misto de referências de ponta e um pouco de porno-terrorismo para temperar.

Durante o festival porém minhas expectativas alucinadas se fizeram mais claras e, pra variar, me decepcionei. Eu acreditava que debatíamos o futuro. Mas não era bem isso. Até agora não sei o que era na verdade. Pra quê tudo aquilo? Debates, rádio livre, hacklab, hardware livre, atividades com os Pataxós, ritual, geodésica, ayauaska, videomaking, luzes brilhantes, terreiro eletrônico, cozinha vegana, ônibus hacker, performances… Dentre os presentes: DJs, vídeo makers, hackers, artistas, malabaristas, cozinheiros, ativistas, quilombolas, indígenas, pensadores, acadêmicos, místicos, feministas, permacultores, atores, ambientalistas, performáticos, palhaços e travestis. Se o novo não sai de um festival tal que se propõe a debater a relação entre magia e tecnologia à partir de uma perspectiva de dominação tecnológica do mundo e de mentes em regime de imersão com todos os estímulos listados acima, então não sei de onde sai.

Acabou o festival e não saiu. Ai como eu estou cansada dessa energia de frustração na minha vida! Há 4 anos que não fiz nada da vida a não ser buscar de onde vai sair esse movimento verdadeiro de mudança e criação do novo. E é sempre a mesma coisa. Tudo começa lindo, cheio de amor e parcerias. Aos poucos os egos crescem, as pessoas revelam seu lado de desinteresse pelo mundo e priorizam seu prazer e finanças acima de tudo. Durante o festival a galera ia pra praia, virava noite tomando quetamina e fazendo orgias. Taí um desafio: zumbis que querem repensar tecnologia e salvar os indígenas. Poucas pessoas compartilharam conhecimento abertamente. O misticismo foi decoração. Todo mundo atrasado pra tudo. Descaso com o que fazíamos ali. Era tudo diversão intelectual punk? Estava eu no meio de gênios alternativos entediados?

Os meses que se seguiram? Ela sumiu. Foi ficar famosa. Colher sozinha todos os frutos plantados coletivamente. Deu nosso programa por encerrado. “É uma obra.” E foi viajar o mundo sentando em mesas e brilhando em aldeias indígenas.

Até quando irão me decepcionar os líderes? Eu não suporto essa coletividade sem liderança. Essa horizontalidade irresponsável e demorada. Esse consenso bate-boca que não consegue implementar. Essa falta de humildade de ouvir o que tem mais experiência. Esse ego anarquista do ninguém manda em mim. Eu quero organização, confiança e admiração. Ordem, objetivo e meta. Doação voluntária de poder e liberdade de tomá-lo de volta a qualquer momento. Escolha. Transparência. Intimidade. Raça. “Um dia quero ser que nem ele”.

Mas é cada um pior que o outro. Puta merda. Não é possível ser liderado por quem não se admira. Esta muito difícil para uma pessoa sensível admirar alguém nesse mundo à partir do momento que a percepção do outro vem da necessidade e motivação por trás. Mas ela eu admirava demais. Um encantamento carente e barato disposto a abrir mão da perfeição em troca de tamanha gratidão pelo mundo a mim aberto. Pela oportunidade de entrar em contato com aquela energia, aquele fogo, aquela mente, aquela arte. Finalmente aprendi que não se pode abrir mão. Na busca pelo movimento verdadeiro, somente um líder absolutamente verdadeiro pode ser seguido. Se não é energia jogava no lixo. Nada pior do que o brilho da vaidade no olho daquele que te guia.

[NOTE TO SELF] Lembre-se sempre: um líder verdadeiro não se assusta quando você cresce, ele se fortalece porque sabe que você é um reflexo de sua liderança. Um líder verdadeiro quer é que você cresça tanto que tome seu lugar e sua missão evolua. Ele te incentiva, SEMPRE. Um líder falso não te deixa crescer, quer te manter onde esta porque tem medo de perder seu pódio de número um. Tem medo de perder a admiração do outro. Tem medo de perder o controle. Mas quem tem medo de perder o controle não está no controle. Quem deseja manter as coisas como estão para se garantir é o [MST] que vai manter você em um movimento medíocre ganhando um salário fixo para fazer um role político qualquer que vai mudar uma linha em um documento em 10 anos (ou uns 10 mil reais em um orçamento blá). Vai te fazer umas críticas pequenas, te dizer que você não está pronto, que precisa de mais um diploma, mais uma especialização, mais uma participação em uma peça audiovisual. Um falso líder vai se importar com coisas mínimas como logos, fanpages, administração de redes sociais, coordenações e nomes para mesas. Qualquer micro ilusão que tire o olhar da macro situação histórico-planetária que vivemos. Para te manter sob seu controle, um falso líder te oferece um pouquinho mais de poder do que os outros só pra você saber que você é o preferido. Um falso líder explora seu trabalho em troca de promessas possibilidades.

E eis que o conceito se tornou aquilo que era diferença antes. Hoje em dia, Tecnoxamanismo é uma ideia extremamente materialista, voltada para a reprodução criativa de rituais e misticismo através de luzes pisca-pisca e performances trans com trajes chocantes (capas, silicone, fitas, palha, chips e durepox). Vem inovando a estética hacklabista e, talvez, incentivando a religião da tecnologia, adoração do silício e extropismo. Os rituais são reproduções bollywoodanas de cenas pagãs trocando as ervas pelas máquinas. O contato com os espíritos é simbólico através do noise, ruídos baixados no PirateBay e tocados no Itunes. Apropia-se de qualquer termo fantasioso e ressignifica-o com a linguagem da cibercultura criando novos personagens e arquétipos vazios de espírito mas suficientemente recheado para publicar-se mais um artigo ou sentar-se em mais uma mesa. Quem sabe dar uma passada na Dinamarca.

A parte do xamanismo conectou-se totalmente com a causa indígena, conectando a cultura hacklab software livre com a necessidade de educação tecnológica nas aldeias. Além de fazer um ativismo pelos conhecimentos ancestrais indígenas enquanto alta tecnologia ambiental (o que eu acho bem legal). Mas onde estão os verdadeiros xamãs no Brasil? Os poucos legítimos que ainda existem estão reservados no interior da floresta, não estão nem sonhando com tecnoxamanismo e, pessoalmente, acho bom que fiquem bem longe de todas essas máquinas mesmo. Um ou outro xamã evangélico tira umas fotos e endossa o #TCNXMNSM mas pra onde foi todo aquele debate místico pesado que fazíamos? Pra mim, quando falávamos de xamanismo, falávamos de magia total. O xamanismo indígena sendo um deles apenas. Falávamos de astrologia, ufologia, tarot, magia do caos, umbanda, espiritismo, leitura de aura, fogo sagrado, clarividência… O que aconteceu com a minha tão amada magia open source? Eu sempre defendi que todo ser humano é xamã ou pode se desenvolver bastante nessa vida para ser na próxima. Que era hora de abrir novas potencialidades humanas na disputa evolucionária que vivemos (e perdemos) agora: homem x máquina. Que era magia versus computador na veia. Todo meu respeito ao povo indígena que amo e admiro demais mas tecnoxamanismo é mais que isso. É xamanismo urbano, siberiano, kardecista… É o corpo humano funcionando em seu pleno potencial. É o sexto sentido a flor da pele. Conexão animal com o coqueiro da praia de Ipanema. Ecovilas. Permacultura. Meditação das Rosas. Festivais de Trance. Bitcoin. E como tudo isso se conecta com os novos tempos, com as novas máquinas? Máquinas artesanais. Máquinas locais. Máquinas que manipulam energia. DJs xamãs. Telepatia.

E agora é isso: Tecnoxamanismo, essa palavra tão poderosa, capaz de fazer com que pessoas viagem 20 horas de ônibus só para descobrir o que é, tomado por um ego acadêmico. Reduzido a imagens projetadas em tecidos brilhantes e debates/artigos acadêmicos rebuscados e inovadores que se apropriam de termos indígenas e mitológicos mas que quase ninguém vê nem lê. Sendo usado como pretexto de carona pra dar uma volta pelo mundo e escada na carreira de um única pessoa. Esquecido pela rede que, decepcionada, deixou de se comunicar.

Muito feio. Me senti usada. E jogada fora. Mas não é a primeira pessoa a ignorar o valor da minha energia investida no seu talento. Jurei que seria a última.

Mas sou muito grata. Se não fosse pelo tecno, o xamanismo nunca teria entrado na minha vida. Sigo vivendo a minha diferença de conceito. Estudando. Aqueles meses de debate e criação finalizados com aquele escândalo de festival serviram para definir grande parte do que eu quero fazer na minha vida. Me abriu os olhos para o estado tecnológico futurista absolutamente apocalíptico que se aproxima. Aprendi demais. Não só sobre a tecnomagia mas também sobre a promiscuidade travestida de feminismo e o feminismo que faz sentido pra mim. Aprendi muito sobre loucura, sobre autenticidade e vaidade. Mas, acima de tudo, descobri que OS ROBÔS ESTÃO CHEGANDO e não temos tempo a esperar. Em 10 anos eles estarão entre nós. E nós precisamos ter bons motivos para continuar vivos. Precisamos fazer coisas que eles jamais saberão fazer. Precisamos relembrar a magia. Rápido.

Uma coisa é certa: eu amo essa palavra. E minha história com ela está apenas começando.

Ciberespiritualidade

Dedico este trabalho a todas as pessoas que acreditam que outro mundo é possível e, por isso, enfrentam a si mesmas no processo de cura interior.

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MOURÃO, Lívia Achcar. Ciberespiritualidade. Orientador: Márcio Tavares D’Amaral. Rio de Janeiro, 2014. Monografia (Graduação Em Publicidade e Propaganda) – Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

RESUMO

Este trabalho pretende aprofundar a crítica tecnológica trazendo um olhar para além das relações entre tecnologia com a ciência e o capital. Trataremos das tecnologias de comunicação e informação e suas relações com a espiritualidade, pretendendo ampliar o olhar sobre todas as relações tecnoreligiosas com o objetivo de trazer à tona a relação inconsciente entre espiritualidade e tecnologia que vem influenciando os caminhos evolutivos da humanidade e abrindo as portas para um cenário futurista preocupante de máquinas superinteligentes e realidade simulada.

Palavras-chaves: 1. Tecnologia. 2. Espiritualidade. 3. Evolução. 4. Magia. 5. Ciberespaço.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a todas as pessoas que fizeram parte do processo de criação deste trabalho direta e indiretamente. A todos aqueles que me acolheram em seus projetos, coletivos e sonhos em fases diversas da minha vida e que me inspiraram a ser mais criativa e a não ter medo de refletir sobre o improvável, me mostraram formas alternativas de viver e ensinaram a acreditar em outras possibilidades de estar na realidade.

Também agradeço meus queridos professores na Escola de Comunicação pelo entusiasmo com que lidam com o campo da comunicação e, em especial, meu orientador Márcio Tavares D’Amaral por todo seu incentivo e liberdade criativa que me permitiu.

Não posso deixar de agradecer com todo meu amor o movimento software livre que segue na luta pela liberdade na internet, acreditando sempre no compartilhar das informações e na capacidade coletiva de criação. Assim como a mídia alternativa que me ensinou a importância que tem os comunicadores na defesa e divulgação da verdade em um tempo de total descrédito das grandes corporações midiáticas interessadas em manter o homem aterrorizado e entretido dentro de sua casa.

Agradeço também ao The Pirate Bay que segue enfrentando todos os obstáculos e tentativas de controle na defesa do livre compartilhar de informações, conhecimento e cultura.

E agradeço aos meus mestres espirituais que me ensinam o que é ser humano.

DOWNLOAD:

ACHCAR, Livia. Ciberespiritualidade. 2014.

O rádio como instrumento educador

O projeto Aprender Brincando é uma experiência inovadora de educar alunos através da prática e da experimentação com diversas tecnologias invodoras e até mesmo inusitadas. Os alunos tem autonomia criativa e aprendem a usar, com ajuda dos professores facilitadores, a técnica como instrumento para expressar suas ideias e vontades. É um projeto que acredita no potencial dos jovens e na sabedoria tímida da juventude. Assim, estimula-se os alunos através das mais variadas ferramentas online e offline, misturando hacklabs com a arte do bordado, do brincar, de contar histórias, reaproveitar materiais e ressignificação de conceitos, a encontrarem sua voz, sua autonomia de expressar-se e criar.

Dentro do Hacklab que se monta e desmonta no mesmo dia, tecnologias se confundem e complementam. Laptops, blogs, hotglue, apresentações virtuais, programação, redes livres para troca de arquivos e comunicação interna e rádio. Os alunos se apropriam destas ferramentas para contar suas histórias e registrar seus pontos de vista únicos sobre o que vivem. Em Viconde de Mauá, por exemplo, alguns alunos vem registrando suas experiências na horta do colégio. Criam sites sobre suas plantas preferidas, fazem desenhos e digitalizam, escrevem histórias inspiradoras sobre cenouras, couves e cebolas.

Dentre toda as ferramentas, a presença do rádio como experiência educacional dentro do hacklab parece inusitada. Apropriar-se da linguagem radiofônica parece pouco relevante em tempos de comunicação instantânea e internet. Porém, na prática, colocar a boca no microfone para comunicar-se com colegas, para expressar ideias pro mundo faz muito sucesso com os jovens alunos. Além disso, o registro através do rádio que pode ser feito ao vivo ou através de gravações editadas é muito interessante e fácil. Não é preciso de muita preparação, apenas curiosidade e vontade de gravar conversas e aulas interessantes para depois dar vida a um programa criativo.

O rádio também tem o poder de atiçar a atenção dos jovens, energia tão dispersa na era dos smartphones. Por ser uma tecnologia muito chamativa com microfones, caixas e mesas de som e linguagem bastante informal e atrativa, os alunos se empolgam verdadeiramente com a vivência. Mexe-se bastante com o imaginário coletivo, aos poucos um pátio se transforma em um talkshow e muitos vão se revelando, descobrindo sua voz e a vontade de falar para ser ouvido. Durante o projeto vivenciamos pulsações políticas, declarações de amor, shows de talento, canto, dedicatórias de músicas e muita conversa sobre futuro, amizade, educação e tantas outras. Alguns alunos sentam-se perante a mesa de som e, ao invés de falar, preferem ficar comandando os microfones, intercalando com as músicas, produzindo programas. Descobrem no rádio uma brincandeira energética de possibilidades.

Além disso, o rádio é um instrumento interessante para incentivar a imaginação. Contar histórias e ouví-las requer mais atenção a detalhes, personagens e impressões quando não se pode apoiar nas muletas das imagens. Vivemos tempos de muita dependência da imagem pronta, videos, televisão, redes sociais já nos dão tudo que precisamos saber sobre o que assistimos. Os jovens estão cada vez mais afastados do potencial criativo da imaginação. Alguns inicialmente tem dificuldades inclusive de imaginar e descrever o que estão vendo. Ou seja, é uma tecnologia que inspira o próprio pensar fora da caixinha (literalmente).

Aprender Brincando permitiu que essa experiência inovadora de misturar o rádio com a educação desse frutos muito interessantes para pensar futuramente a presença permanente de rádios em escolas que incentivem o diálogo e a imaginação dos alunos cada vez mais. Além disso, gerir uma rádio permanente através de um coletivo de jovens é uma experiência muito interessante de autogestão e organização. As relações criadas dentro de uma rádio são normalmente muito respeitosas das diferenças de ideias, produtos do respeito das diferenças de gostos musicais. Assim, o rádio torna-se um meio de formar jovens mais criativos, menos tímidos e inseguros de suas ideias, com menos preconceitos e capacidade de organizar-se. Exatamente o tipo de adultos que queremos no futuro.

A integração de tanta tecnologia com emoções, afetos e experiências na natureza fazem deste projeto um grande passo a frente na educação de seres humanos melhores e conectados tanto com ferramentas empoderadoras quanto com seus talentos e vivências reais. Os resultados são sempre coloridos, criativos e muito inspirados. Os alunos respondem com muita energia e investem sua atenção verdadeira naquilo que são seus próprios projetos realizados com essa aprendizagem. Em ambos os espaços de experimentação do projeto (Colégio Aplicação UFRJ no Rio de Janeiro e CEAQ em Visconde de Mauá), os dias de projeto tornaram-se inesquecíveis, alegres e transformadores. Alunos pedem mais, professores participam de maneiras mais informais e relações verdadeiras se formam.

Por ser um projeto experimental, os próximos passos ainda são incertos. Deixa-se fluir aquilo que funciona e não se tem medo de perceber aquilo que não funciona e deixá-lo pra trás. E está sempre aberto para novas ideias, novas ferramentas e conexões entre educadores, alunos e quem mais quiser se testar no ambiente educacional. É possível que ele evolua para um laboratório de aprendizagem sobre rodas, levando este modelo de integração tecnológica para muitos outros espaços e inspirando sempre uma nova educação para os novos tempos.

Tecnoxamanismo: o novo possível

Em seu complexo texto “A origem da obra de arte”, Martin Heidegger aborda a questão de que a verdade da humanidade atual é fundamentada no conhecimento técnico-científico. A arte deixou de assumir o papel instaurador de sentido que tinha na idade média. À partir da modernidade, nas democracias que definem-se liberais, o que vem instaurando o sentido da humanidade é o eterno processo de transformação do progresso técnico-científico.

Para questionar esse sentido, Heidegger nos trás à memória a ideia de que o ser humano é eminentemente possibilidade. Estamos no aberto dos possíveis. O comportamento do homem não é programado biologicamente como o dos animais que são reféns de pulsões e instintos que os enquadram em determinados modos de vida específicos com funções e ações pré-definidas pelo seu corpo biológico. Uma cobra jamais poderá assumir o papel de um tigre na natureza, por exemplo. Já o homem não é refém de suas predisposições biológicas. Nosso estado na natureza é definido muito mais pelo que nos é legado quando nascemos. Ou seja, todos as informações que recebemos de nossos antepassados através das nossas tradições de acordo com o ambiente familiar, econômico, geográfico e cultural em que nascemos.

Todas as culturas antropológicas são modos diferentes de entender a realidade. Ao redor do planeta, podemos encontrar diversos mundos diferentes, baseados nessas diversas compreensões do que é real. Só que o autor chama atenção para o fato de que cada um desses mundos possíveis, ao se constituir enquanto uma possibilidade, descarta todas as outras possibilidades. Sendo assim, qualquer realidade em que acreditamos é restritiva de algum modo.

Com a crescente globalização e conectividade do mundo, cada vez fica mais difícil esquivar-se de uma única possibilidade, a da transformação técnico-científica enquanto sentido da vida humana, que vem sendo apresentado como verdade. A massificação e concentração do discurso midiático ao redor de um único modelo econômico embasado por um discurso de entretenimento cultural voltado para o consumo e redução do homem a espectador de poucos também vem restringindo a abertura de outros possíveis. Vivemos principalmente uma crise de ideias e narrativas.

O filósofo chama atenção para o perigo dessa verdade apresentada como única possível: a transformação técnico-científica tende a se infinitizar, ou seja, não há um ponto de chegada dessa verdade, um objetivo maior. É uma tendência eterna que vem dominando mentes e destruindo o planeta terra e seus recursos finitos sem jamais chegar a um fim concreto. É um modo de estar na realidade que tem sempre o progresso como seu próprio fim. Nos perguntamos então: quando acaba o processo? Essa circularidade do transformar é o maior problema. O estar no processo tecnológico é estar preso a esta possibilidade do transformar por transformar.

            Dentro da realidade do progresso, tende-se a endeusar a novidade. O que é mais moderno que representa o maior grau de progresso científico é o que tem mais valor. Seguimos alimentando o fluxo da transformação ao estarmos em uma eterna busca do novo enquanto cálice da felicidade e sentido do estar vivo. Só que dentro desse paradigma há uma diferença importante entre a novidade e o novo. À partir do momento em que as novidades acontecem e estamos sempre as consumindo, isso não é novo. O costume é o buscar novos objetos, seguir as novas tendências, nos adaptar às novas plataformas de comunicação… Nos vemos temporalmente imersos nas novidades, a tradição já tornou-se o consumo delas. Não há nada de novo nisso.

O novo seria parar de fazer essas coisas e fazer outras coisas. Parar de transformar as coisas. Viver de outra maneira, fazer outra coisa. Essas novidades não tem nada de novo, já tornaram-se tradição. O novo seria radicalmente diferente desse eterno consumo de novidades técnicas. O novo seria andar de ponta cabeça todo dia, criar novas formas de amar, valorizar o antigo, guiar-se pela luz da lua… Criar novas formas de se estar no mundo que sejam diferentes daquelas incentivadas pela forma atual do progresso técnico científico.

Como, para Heidegger, a arte deixou de ser o que instaura a verdade para essa realidade em vivemos, então talvez a arte possa ser o espaço que abra o pensar para a nova possibilidade que não seja o acumular se esta se propor a não valorizar tanto as novidades. E isso vem sendo um desafio cada vez maior enquanto o estar da arte atualmente tem tudo a ver com a técnica e com a capacidade técnica do artista. A arte hoje está sempre se renovando junto com as novas possibilidades de produção e quanto mais tecnológica ou mais complexo o processo de produção científico da obra, mais valor ela tem perante o mercado e os críticos. Chegamos a tal ponto em que ideias e conceitos são secundários em relação à maestria tecnológica, efeitos especiais, iluminação, softwares de edição de som e vídeo, impressoras 3D, drones e por aí vai infinitamente. Vamos à exposições de arte mais para ver que tecnologias tem sido apropriadas pelos artistas e quais usos para elas além do convencional estão sendo propostos. Mas as ideias, críticas, novas linguagens e olhares para o mundo estão cada vez mais em falta.

É dentro deste contexto que nasce o Tecnoxamanismo, um novo conceito e possível movimento pensado especialmente por artistas, tecnólogos e místicos articulados perante a catástrofe emanente prevista para o planeta nas próximas décadas. Uma quebra radical com o olhar técnico científico que proporciona um novo olhar para as novas e velhas tecnologias que vem dominando as mentes humanas cada vez mais distantes da sua potência em troca do permanente estado de simulação proporcionado pelo ciberespaço.

Para começar é um movimento ambientalista de valorização dos povos indígenas e de suas tradições e tecnologias milenares em conexão com a grande mãe natureza. Parte-se do xamanismo, a prática espiritual dos pajés baseada na exploração da mente em profundidade, expansão da percepção em êxtase induzida pela ingestão de substâncias alteradoras da consciência (Enteógenos) que possibilita o trânsito mental destes homens a outras dimensões (exploradas também pela física quântica) e outras formas de vidas como plantas e animais – o xamã pode ver através dos olhos de uma águia ou correr dentro de uma onça. São eles que tem visões do futuro, profetizam acontecimentos que os vem em imagens ou sonhos. Podem comunicar-se telepaticamente, manuseiam energias de seus e outros corpos, transmutam padrões energéticos através de rituais, incorporam, canalizam e comunicam-se com seus antepassados espiritualmente. São exploradores de um potencial inerente do “hardware” que é o corpo humano inseridos em uma possibilidade de estar na realidade radicalmente diferente do transformar técnico científico em que a maioria da humanidade se vê inserida por falta de opção melhor.

O tecnoxamanismo começa por entender o xamanismo enquanto um potencial inerente de todo ser humano que se propõe a inserir-se em uma nova possibilidade de estar no planeta. Ao invés de máquinas, a mente. Não são somente os xamãs que tem a capacidade de acessar todos os conhecimentos da terra com o fechar de olhos, inúmeras linhas místicas indianas e mundo a fora já falam sobre a possibilidade de acessar uma rede energética espiritual que poderia substituir o Google com o árduo treinar de um estado de alerta mental diferente daquele que estamos acostumados.

Entendendo que o xamanismo é uma linguagem mística falada dentre os povos indígenas semelhante a outras linguagens (correntes) de misticismo, ocultismo, tribalismo e conexão com a natureza faladas ao redor do mundo, acredita-se possível valorizar estes conhecimentos há muito tempo desqualificados pelo paradigma técnico científico devida a sistemática falência do método experimental lógico racional em compreendê-los para superá-lo. Ou seja, explorando esse conhecimento ancestral irracional fundamentado na capacidade intuitiva e expansiva da mente humana poderemos através do nosso próprio corpo superar a relação com a máquina e o progresso que está a nos dominar e possivelmente culminar na extinção da raça humana.

À partir daí olhamos para as tecnologias, métodos de organização social e práticas espirituais ancestrais que datam do período neolítico anteriores até mesmo a linguagem escrita enquanto tecnologia de ponta para pensar uma nova possibilidade de estar na realidade. Analisando a relação milenar humana de parceria entre os gêneros, adoração a uma deusa mulher criadora da vida, organização política voltada aos interesses da comunidade e foco na beleza ao invés da sociedade patriarcal, hierárquica, fundamentada por uma teologia masculina adoradora do Pai e do Filho homens, amante da guerra e da morte, de organização política voltada para a coerção através da violência e do medo e foco nos obstáculos e perigo da vida. A capacidade humana criadora da mente versus o estado tecnológico das máquinas dominantes do pensamento.

É um início de um olhar prático e racional para o que anteriormente era visto como loucura. O lento despertar proporcionado pelo acesso à informação ilimitada, produção de novos olhares e interação direta entre pessoas em rede pela internet vem gerando sensações de repúdio a realidade em que estamos inseridos. A devastação ambiental, deturpação de valores e talentos em nome do consumo, perda das singularidades, solidão, medicamentação da vida, desigualdade social, fobia das diferenças, infantilização da inteligência pela grande mídia, acúmulo de riquezas nas mãos de poucos, genocídio dos pobres, falta de educação e saúde, gastos em guerras… Percebe-se que loucura é o que vivemos hoje. E desconfia-se que o que é considerado loucura pelos loucos possa ser, na verdade, sanidade e solução. Somente o que eles não entendem pode vencê-los.

Ao retomar práticas xamânicas, místicas e esotéricas e afirmá-las enquanto técnica quebram-se algumas correntes mentais presas no paradigma de que tudo que existe é somente aquilo que é provado pelo método científico. E somente com o despertar através do atavismo (crença de que carregamos genes ancestrais adormecidos que podem ser acessados em determinadas condições) das potencialidades escondidas dentro do próprio corpo humano valorizando também as experiências artísticas corporais das performances que propõem-se a repensar o corpo e valorizá-lo através de usos radicais, sexuais e chocantes que trazem à memória a dádiva dos sentidos aguçados em estados animais, podemos começar a olhar para as tecnologias que permeiam nossa vida de modo a coloca-las em seu devido lugar, o de auxiliar a vida do homem e não ditá-la.

Porque o que vemos acontecer é uma desconexão cada vez maior entre a mente, o corpo e a natureza em grande parte gerado pela dependência tecnológica do cotidiano. O abaixar a cabeça para a técnica criada em centros de pesquisa distantes e ministrada por engenheiros e cientistas em todas as áreas da vida vem gerando uma perda de autonomia e potência do que é ser humano. Aceitamos comer comidas artificiais e envenenadas porque acreditamos que só é possível alimentar a todos com o agronegócio e a indústria alimentícia. Abrimos mão do nosso poder de criação infinito porque nos julgamos inferiores às máquinas. E isso serve para tudo. Vamos ficando escravos do conforto proporcionado pelo Google, pelo GPS, pela lâmpada, pelo relógio despertador, pelo ar-condicionado, pelo micro ondas, pela televisão e todas as novidades deles derivadas. Vamos ficando flácidos, gordos, míopes, surdos, frios, distantes, solitários sem perceber que vivemos em um estado de possibilidade dentre tantos outros possíveis e invisíveis ao nosso redor. E caímos em um ciclo vicioso: quanto mais dependentes, menos humanos, quanto menos humanos, mais dependentes. E aí é claro que iremos permitir o estupro da planeta terra, iremos estuprá-la até que ela nos mate a todos já que precisamos das nossas extensões tecnológicas para viver dentro desse estado mental de dependência em que nos encontramos.

A ideia não é negar a tecnologia. Já que acreditamos em um projeto divino para tudo que acontece na história terrestre, consideramos que o homem é nada além de partículas do universo combinadas de modo a ter consciência de si. Por tanto, todo esse progresso e estudo técnico científico a que chegamos até agora não foi em vão. Tudo que passamos foi produto de uma curiosidade do universo sobre si mesmo, uma tentativa de entender e analisar-se. Só que chegamos a um ponto de entendimento em que devemos estar mais conscientes das escolhas que fazemos em relação aos rumos dessa curiosidade universal daqui pra frente. Seguiremos investindo milhões em tecnologias de destruição e domínio de nós mesmos ou em psicodelia, expansão cognitiva e produção de liberdade e autonomia? Ao seguirmos no caminho do acúmulo de conhecimento em centros de pesquisa dirigidos por alguns homens arrogantes que julgam-se Deus, estamos permitindo que biotecnologias criem vida artificiais, misturem espécies de batatas com galinhas em prol do consumo rápido e produção massiva, inteligência artificial que permitirá que em 2029 estejamos reféns da boa vontade de algumas máquinas superiores a nós mesmos, transhumanismos utópicos que pregam que a solução para a morte está em transplantar cérebros humanos para próteses maquínicas ignorando toda a complexidade energética corporal e tudo isso sendo alimentado pela energia elétrica dos rios devastados e em processo de desertificação dos seus arredores. A ideia é conscientizar sobre a escolha da tecnologia daqui pra frente.

Ao valorizarmos a mística e o corpo enquanto alta tecnologia e percebermos o estado de potencia que é ser vivo e humano podemos então nos apropriar da técnica até agora produzida e pensa-la de modo mais saudável, adaptá-la para novos fins criativos e libertadores de uma mente adormecida e refém de alguns softwares produzidos a portas fechadas em reuniões na Califórnia que vem ditando dinâmicas de pensamento dispersas e rasas, lógicas e frias. Ao libertarmos a mente propondo-nos a arriscar novos estados mentais e flertando com o que é considerado loucura pelos loucos estamos nos colocando no papel de cobaia de um novo possível de verdade. Estamos quebrando com o padrão regente do único possível e fazendo algo radicalmente diferente disfarçado de arte crítica e tecnológica. Pensando novos usos pra máquina e pro homem em parceria para a criação de uma nova possibilidade de estar na realidade e quem sabe, futuramente, alterá-la para um estado de vida mais saudável, em maior conexão com nós mesmos e com a natureza.

Tecnoxamãs do mundo, uni-vos!

O Perigo da Cultura de Redes

Existe um forte encantamento global com as novas possibilidades de interação social e produção criativa consequência das (nem tão) novas plataformas de comunicação na internet. Vivemos um momento quase histérico de exaltação do software livre e da produção coletiva em rede. São poucos os que param para refletir sobre a estranheza dessa mente entorpecida de paixão por algumas máquinas e do poder de dominação sobre a humanidade destas.

Os principais softwares são produzidos por um número pouco expressivo de empresas em sua maioria norte americanas como Facebook, Twitter, Instagram, Dropbox e Google. São estas que estão produzindo muito mais que simples plataformas de interação mas, antes disso, dinâmicas de pensamento que vem influenciando nossas relações “away from keyboard” como dizem os sobreviventes do Pirate Bay, referindo-se à vida humana, longe do teclado. Facebook por exemplo, embora tenha promovido uma conexão global jamais vista anteriormente na história da humanidade, é uma plataforma que promove a dispersão e a amnésia além de, na realidade, restringir a nossa comunicação às pessoas com quem temos mais interação naturalmente. Nos prende em uma ilusão de que nos comunicamos com o mundo quando na realidade estamos presos em um algoritmo pensado por alguns programadores que definem quem nos lê e quem lemos segundo padrões de curtidas e mensagens inbox.

Aos poucos passamos a pensar nossas relações sociais polarizadas em curto e não curto, compartilho e ignoro, leio mas não reflito. A dinâmica temporal de instantaneidade de todas essas plataformas também vem gerando ansiedade e angústia por ser radicalmente oposta à temporalidade processual da vida cotidiana. Sem contar sobre a nova definição da verdade: se ainda não saiu no twitter ou ainda não há links no Google, então não aconteceu.

Se debatemos sobre o a importância e o poder das narrativas de construir um novo mundo, de contar uma nova história para esses tempos de crise global, é preciso estar atento para o poder destas poucas plataformas em definir como estas narrativas podem ser contadas. Aos poucos estamos esquecendo das outras possibilidades de comunicação e antigas tecnologias consideradas antiquadas cada vez que as dominadoras do hardware como Microsoft e Apple resolvem lançar um novo produto no mercado.

Existe uma disposição mental criada pelo próprio mercado de consumo de aceitar as novas tecnologias sempre como superiores. É Heidegger que escreve em “A Origem da Obra de Arte” que a humanidade parece estar presa no objetivo do eterno transformar por transformar, um discurso vazio de progresso enquanto sentido da vida por falta de um objetivo melhor. Não há mais uma abertura de um olhar para outras possibilidades de criação que não atreladas à essas novas tecnologias de comunicação em constante mutação definidas a portas fechadas dentro de algumas poucas empresas.

Cada vez que uma nova plataforma é lançada e faz sucesso, a humanidade e, em especial, os comunicadores, precisam se atualizar e reformular seu modo de atuação para se adaptar a essa nova dinâmica produzida por alguns poucos. E assim, todas nossas relações começam a ser definidas através de softwares antes da emoção, intuição ou experiência de vida. Até relações amorosas vem sendo afetadas por aplicativos como o Tinder e o Lulu que enquadram pessoas e singularidades em algumas porcentagens, hashtags e estatísticas qualitativas que julgam critérios aleatórios como humor, charme, inteligência, etc..

Na publicidade tornou-se norma a remodelagem frenética de estratégias de acordo com novos lançamentos de possíveis meios de divulgação de produtos e serviços. A comunicação publicitária tornou-se um campo absolutamente instável e isso é considerado positivo pela maioria das pessoas já tomadas por uma norma de pensamento sempre voltada para a produção e o progresso infinito. Ser especialista já não vale de mais nada já que não há tempo de se especializar, o mercado hoje é dominado pela emergência dos não-especialistas, os que conseguem se atualizar mais rápido tem mais chances de sobreviver do que outros.

Incentivamos cada vez mais uma competição desenfreada e até selvagem sem parar para respirar e refletir sobre o poder dessa máquina que está nos mandando aguardar há 5 minutos antes de ligar, nos mandando atualizar seu sistema, nos mandando retirar corretamente o pen-drive, nos mandando salvar nosso trabalho, nos mandando tentar novamente, nos mandando aceitar termos de uso, nos mandando… nos mandando… nos mandando…

Estamos nos permitindo dominar por programadores ocultos escondidos em salas de reunião na Califórnia. Abrindo mão de milhares de possibilidades de repensar comunicação e interação em nome dos que tem o conhecimento maior segundo a academia ou o pensamento científico-lógico-matemático. São novas estratégias de dominação global sendo engolidas disfarçadas de liberdade criativa e possibilidade de conexão. Enquanto na verdade censuram, vendem dados privados para empresas de marketing, vendem padrões de busca para setores especializados em compras, monitoram as relações políticas, quebram sigilos de e-mails e mensagens privadas, protegem os direitos autorais das grandes corporações culturais, removem vídeos e produções sem aviso prévio e vão aos poucos definindo o que é real e o que não é. E vão contando a história dos vitoriosos.

E nós vamos caindo cada vez mais na dependência dessas plataformas para combinar os mais simples encontros com amigos, para saber o endereço da próxima reunião, para nos distrair, para trabalhar, para ouvir música, para buscar receitas, para saber o que passa no mundo, para nos expressar “livremente e cada vez mais nos desligando do mundo real, da natureza, da arte, dos prazeres corporais para estar mergulhados na mente concentrada funcionando de acordo com o que o software permite.

Esquecemos da delícia que é o analógico. Tratamos tecnologias dos povos tradicionais de cultivo da natureza ou comunicação através de tambores enquanto inferiores e até esquizofrênicas, não valorizamos nossos sentidos como olfato, tato, audição, visão e paladar, abrimos mão disso tudo para ficar confortáveis em frente a uma tela que aparentemente resolve tudo. E vamos nos desconectando das dinâmicas produtivas dessa cadeia comunicadora, assim como todas as outras dinâmicas produtivas de tudo. É só clicar que o produto chega um dia depois. Nos desconectando da natureza e permitindo que seja devastada para alimentar mais máquinas, mais petróleo, mais energia elétrica, mas silício, mais metais, mais plástico, mais lixo, etc. Porque nossa prioridade é maquínica e essa falsa proposta de possibilidades infinitas.

É preciso se apropriar não só do software como propõe o movimento software livre que tenta com pouco sucesso relativo ao poder das grandes corporações contribuir com a produção de plataformas alternativas. Mas também repensar hardware, construir computadores artesanais. E novas máquinas locais adaptadas às necessidades culturais de cada região. E repensar o que é tecnologia no geral. Produzir um olhar crítico e humano para pensar a cultura de redes retirando-a do campo da salvação que beira o fanatismo mas compreendendo a rede como o que ela é de maneira mais abrangente em um jogo de xadrez político que vem definindo não só o futuro da humanidade como a permanência da espécie no planeta.

TCNXMNSM | 15.05.2014 – Hacklab, Satélites e Sexo

15/05/2014 – Penny, Cassandra, Orquídea de Aço e Patrick conversam sobre cultura hacklabista, astrologia artificial, satélites, fetiches, pós-porno, feminismo e singularidades.

The Extropist Manifesto

A global movement that updates and expands upon “The Extropian Principles” written by Max More in 1998.

Extropism is an optimistic, futuristic philosophy that can be summed up in the following five phrases:

  • Endless eXtension
  • Transcending Restriction
  • Overcoming Property
  • Intelligence
  • Smart Machines

In more detail, the Extropist philosophy and world-view promotes:

Endless eXtension – Extropists seek perpetual growth and progress in all aspects of human endeavor. We are, as a species and as a culture, never finished or in any essential way complete. Instead, we continually pursue knowledge, we constantly experiment, we forever continue to develop techniques that improve our minds, our bodies, our culture and our environment. Extropists affirm this belief and take it to its logical conclusion.

We desire the technology and understanding that allows us to continually transform and augment the human body until we attain radically expanded lifespans, super-human wisdom & physical/neurological powers beyond anything we can imagine today. We intend to improve our culture & environment until we’ve instituted a fluid society that guarantees an euphoric existence to all those who desire it. We believe that there are sufficient resources available on Earth, in the solar system, and in the cosmos, to maintain endless growth and advancement.

Transcending Restrictions – Since they are ultimately inspired by growth, progress and continual development, extropists wish to abolish all restrictions imposed by religion, protectionism, segregation, racism, bigotry, sexism, ageism, and any of the other archaic fears and hatreds that continue to limit us today. We seek freedom for all living creatures and we believe that all of humanity can work together – without limits – in joyful social relationships that are based on honest communication and empathetic kindness.

We oppose authoritarian laws, surveillance and social control. We favor freedom of speech, freedom of action and freedom of experimentation in our constant striving to transcend all limitations to human potential. We also desire the ability to direct human evolution; to rise above our present animalistic behavior of conflict and domination and to abandon all physically and psychologically unhealthy inherited traits. Using genetic therapy and technical augmentations we will be able to create more advanced minds living in healthier human bodies. We will be able to remove neurological, physical and mental diseases that have plagued humanity since time immemorial. Ultimately, we want life and the way that we live it to be a conscious choice that isn’t limited by a sudden onset of disease or genetically programmed death.

Overcoming Property – We wish to reform archaic, out-dated human laws that govern possession by improving and/or annihilating terms such as ownership, copyright, patent, money and property. We believe that present regulations promote greed and are ultimately destructive to a far larger degree than they are beneficial. Millions of people are dying every year because pharmaceutical companies are unwilling to share their discoveries and insist on selling their products at murderous, unconscionable prices. The movie and music industries are successfully alienating their own customers by going after people who share files with each other on the Internet. We believe it is madness that anyone can own an idea, a blueprint, a thought, a melody or a genome. Human progress will advance far faster if knowledge, culture and resources are shared by everyone for the general welfare of all Earth’s inhabitants.

Intelligence – Extropy is the opposite of entropy; it is the inverse of chaos and lethargy. In a way, it is the only exception to the Second Law of Thermodynamics. Extropy is intelligence, creativity, order, critical thinking, ingenuity and boundless energy. The most valuable material in the universe is information and the imagination to do something with it; with these two qualities there is truly no limit to what can be accomplished. We believe in optimism, independent thinking, personal responsibility, self-direction, self-esteem, critical thinking and respect for others. We do not believe in doing things because that’s how they’ve always been done, we believe in rational thought; utilizing our deductive reasoning abilities instead of depending on blind, irrational faith, superstition and traditional dogma.

Smart Machines – A primary goal of Extropism is the attainment of Friendly Artificial Intelligence. We promote the development of robots, computers, and all machines that can emulate human thought, copy minds, and attain intelligence that exceeds human ability. We fully endorse the ambitious projects ongoing in the world today where robots are being built to facilitate in everything from the care of the elderly to the building of better machines. In this respect, extropists are singularitarians. We believe that once Intelligent AI has been developed, many of the other extropist goals will follow naturally and in short order. We support all funding for research that promotes this ambition, and we oppose all legislation that impedes progress towards this intention.

Os posts da Penny estão licenciados sobre a lata.

Liberdade Ainda que à Tardinha

Versão 0.3.1

1 – Esta é uma licença de uso de obras, processos e idéias.

2 -Tudo o que for licenciado pela Lata, poderá ser:

– usado, estudado, modificado, amassado, distribuído e o que mais você quiser fazer. Você é livre para usar do jeito que você quiser. Contanto que faça o mesmo com o resultado desse processo e:

2.1- em relação ao uso comercial, se este uso for incentivar uma economia local e/ou se você estiver na pindaíba e/ou para fins de balbúrdia, ele é permitido. Agora, caso você queira ganhar e acumular muito dinheiro com o objeto aqui licenciado, caso você pertença a algum meio de comunicação corporativo ou qualquer empresa em que os donos e executivos ganhem muito mais dinheiro que os faxineiros, você não poderá fazer uso comercial.poker gratuit Se o fizer, conte com a feitiçaria eterna sobre sua vida, a da sua família e de toda a sua hereditariedade. Que você apodreça no inferno além de levar um processo nas costas!

2.2- O mesmo se aplica a instituições estrangeiras de pesquisa biogenética e farmacêutica, ONGs que fazem projetos a esmo só para arrecadar mais recursos e aonde o diretor ganha muito mais que o faxineiro, bancos, empresas de especulação financeiras, fabricantes de armas, empresas de ônibus, madeireiras, toda a espécie de agronegócio, entre outras.

Cláusula do Genocídio- O uso mesmo que comercial nos Estados Unidos, Europa Ocidental e outros países desenvolvidos só é incentivado para todas as minorias, imigrantes de paises subdesenvolvidos, e moradores de ocupções, assentamentos e desenvolvedores de software livre. Se você não se encaixa nesses termos, mas simpatiza com essa distinção, fique a vontade.

3- todo o uso e/ou modificação e/ou resultado decorrido da obra/processo/idéia/trecho licenciado sob a LATA deverá ser compartilhado da mesma maneira, sem exceções, com a mesma licença e sob os mesmos termos

Para usar a Lata em sua obra coloque (ou não)

“Sejam mais criativos. Façam seu próprio direito. Obra licenciada sobre a licença a Lata. Para ver a licença completa acesse:http://crieitivecomo.org/wikka.php?wakka=licencadalata∞”

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